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EDUARDO GUIMARAENS

Por suas netas e netos.

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Encontro na Casa Fernando Pessoa

Em 2016, viajando para visitar nosso filho Francisco que morava na Irlanda, meu marido e eu ficamos alguns dias em Lisboa. Lá encontramos Eduardo. Foi assim.

Fomos visitar a Casa Fernando Pessoa. O casarão com suas paredes brancas cobertas de poesia. Na entrada, o grande mural da exposição Nós os de Orpheu mostrava os colaboradores da revista.Passei reto pelo mural. Queria absorver a exposição e suas surpresas uma a uma.

Nós, os de Orpheu

Seguindo o caminho orientado para o circuito da exposição, pegamos o elevador e subimos ao terceiro andar. Lá encontramos o poeta em sua Lisboa, as imagens que nos levavam a penetrar no mundo da Orpheu.

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Eduardo Guimaraens

Descendo, então, pelas escadas, no entre-piso, lá estava ele, Eduardo Guimaraens O Brasileiro Esquecido. Suas fotografias, sua poesia, alguns dados sobre sua vida (a data de nascimento constou 1882 em vez de 1892) e obra. A revista Fon-Fon! e seus colaboradores também estavam
ali.

Surpresa, emoção, arrepio, as pernas afrouxaram. Claro que sabíamos da importância de meu avô na literatura brasileira, poeta simbolista sempre referido. Publicava nas diversas revistas literárias de sua época. Mas nunca imaginei encontrá-lo na Casa Fernando Pessoa. Nosso avô Eduardo,
poeta que morreu jovem - sempre presente em nossa vida - me surgia em um momento inesperado. Além-mar, tanto mar.E a história de sua obra foi surgindo nas paredes da Casa Fernando Pessoa. 

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Em 1913 Luís de Montalvor, que viria a organizar a revista com Fernando Pessoa, vem ao Brasil e, no Rio de Janeiro, profere a palestra “O Gênio da Raça Brasileira”. Conhece a revista Fon-Fon! e convive com seus colaboradores, dentre eles Eduardo que então morava no Rio.

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Orpheu

Em 1915 Luís de Montalvor solicita a Ronald de Carvalho que lhe envie poesias de poetasbrasileiros. Ronald responde: Escreverei ao Eduardo para satisfazer o que me pedes. Mandarei versos do Álvaro, do Homero, do Ernani, a prosa de Alcides Maia e, talvez, do Graça Aranha.
Esta correspondência deu origem à publicação de três poemas de Eduardo na Orpheu 2: Sobre o Cysne de Stéphane Mallarmé, Folhas Mortas e Sob os teus olhos sem lágrimas.

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O brasileiro esquecido

Sentimento duplo. Emoção e irresignação. O Brasileiro Esquecido! Retornamos ao Brasil com a ideia de promover a divulgação e a publicação de sua obra.
Em 1978, o Instituto Estadual reeditou a Divina Quimera. Esta foi a terceira edição, pois a primeira, publicada em 1916, foi orientada pelo próprio Eduardo. A segunda foi organizada por Mansueto Bernardi, em 1944.
Em 2002, por iniciativa da Editora Libretos e organização da professora Maria Luísa Berwanger da Silva, foi publicado o livro Dispersos com o selo da Editora Libretos. A organização, catalogação e digitalização do acervo teve novo impulso.

Os primeiros movimentos para divulgar Eduardo se deram em 2018. Em face de sua participação na revista Orpheu em 1915, Eduardo integrou a exposição "Fernando Pessoa a minha arte é ser eu". Na exposição, retratos, fotografias, alguns manuscritos de Núpcias de Antígona (poema trágico adaptado que Eduardo fez da obra de Sófocles), um exemplar da segunda edição da Divina Quimera (1944) e um exemplar da sua tradução de Canto Quinto (1920, uma das primeiras traduções brasileira da Divina Comédia, de Dante).

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